1 de abril de 2016





Em matéria publicada recentemente na Coluna Cotidiano, da Folha de São Paulo (leia aqui), psicólogos falaram sobre como as crises econômicas e políticas podem afetar nossa saúde emocional. Eles têm observado isso na prática, em seus consultórios. Segundo um dos profissionais entrevistados, pelo menos 80% dos pacientes apresenta tais questões durante as sessões e muitos chegam a deixar os problemas pessoais - que outrora os fizeram procurar o acompanhamento terapêutico – em segundo plano. 

Independente de classe social ou posição ideológica, a ansiedade toma conta de todos, em razão das incertezas e da sensação de impotência que se apresentam em momentos de crise. É que, a despeito das atenções se voltarem para números e argumentos técnicos, o que há por trás é a vida das pessoas.

Diante de uma crise econômica, é natural que se sinta bastante medo de perder o emprego, de ver os negócios fracassarem, de não conseguir se recolocar rapidamente no mercado, de comprometer a segurança financeira da família, de alterar o padrão de vida dos filhos, como uma mudança não desejada de escola, de casa ou de um plano de saúde. 

Confrontados com uma crise política e institucional, tendemos, segundo o psicólogo Aurélio Melo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), a uma baixa de autoestima em relação ao nosso país e ao nosso papel como cidadãos, passando a desacreditar no futuro e naqueles que compõem os poderes institucionais da nação. Deixamos, portanto, de ter orgulho do lugar onde vivemos e desenvolvemos a propensão de diminuí-lo, quando em comparação com outros países. Esta atitude é ruim porque pode nos fazer deixar de lutar por mudanças e nos levar a desejar constantemente estar em outro lugar. O psicólogo alerta ainda que notícias frequentes sobre corrupção estimulam que as pessoas ajam de forma antiética e faltem ao respeito com o próximo, por considerarem rompido o contrato psicológico de busca do bem estar comum. 

As crises econômicas e políticas têm o potencial de colocar em posição de confronto grupos com pensamentos divergentes, afetando relações familiares e de amizade. Estas divergências seriam melhores geridas se, ao invés de criar um estereótipo do outro, conseguíssemos perceber que há valores legítimos em qualquer dos lados. Cada cidadão tem dentro de si um ideal de nação, na qual gostaria de viver, realizar seus sonhos, criar seus filhos. Em momentos de instabilidade, todos temem que surja um novo modelo social que contrarie seu senso de justiça e suas expectativas do que seria uma sociedade perfeita. 

É por essa razão que as incertezas sobre o futuro dos governos e da economia geram angústia. O psicanalista Márcio Giovannetti, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, afirma que “nesses momentos, as relações pessoais tornam-se extremamente difíceis, e conflitos que estavam razoavelmente administrados assumem proporções enormes, constituindo-se em um caminho para a depressão, ansiedade e síndrome do pânico”. Sentimo-nos mal, portanto, em razão do medo do desconhecido. 

Um comportamento mais empático diante dos confrontos seria entender que as pessoas que defendem um ponto de vista diverso não estão necessariamente motivadas por questões egoístas ou por falta de conhecimento, como muitos gostam de presumir, mas que as opiniões são fruto de um conjunto de valores e de experiências de vida de cada um. Além disso, nossas percepções e as dos outros podem estar sendo influenciadas por sentimentos que merecem compressão e acolhimento e não agressividade, como o medo e a insegurança. 

Talvez você esteja incomodado com seus familiares, amigos, colegas de trabalho ou das redes sociais e nós entendemos isso. É pra isso que os voluntários do CVV estão disponíveis 24 horas, para garantir que você tenha com quem expor o que pensa e como está se sentindo diante de um momento delicado, em uma conversa franca, sem julgamentos e sigilosa. Se estiver precisando conversar acesse nosso site e veja as opções disponíveis www.cvv.org.br.

Luiza 
CVV Belém – PA